BOA NOITE

 

Um bom ponto de partida para começar a organizar e a simplificar a sua casa, é o quarto de dormir.

Porquê?

Porque é onde começamos e terminamos o dia. Porque é o espaço onde podemos sermos nós, o que quer que o dia nos reserve.

Esta divisão deve refletir a sua visão de harmonia, tranquilidade e intimidade.
E seja qual for o seu ritmo de vida, ali poderá encontrar um refúgio de paz e bem-estar. Porque a melhor versão de si mesmo passa por uma boa noite de sono e um acordar optimista.

Como se sente quando entra no seu quarto?
E como se quer sentir lá?
Qual a sua visão para o seu quarto ideal?

Antes de mergulhar numa seleção e organização mais profunda, pode começar por estes simples passos:

Tire o o excesso de roupa pousada na cadeira. É uma das formas mais rápidas de dar outro ar à divisão. A roupa do dia pode ser pousada em cabides atrás da porta, ou numa pequena zona no guarda-fatos reservada a esse propósito. Seja como for, não dê muito azo a que essa pilha se expanda. Pode delimitar um espaço, ou um período de tempo para que a roupa possa lá estar.

・ Elimine do seu quarto os brinquedos das crianças. É um dos poucos espaços que pode chamar de só seu e deve desfrutar dele como tal. Se costumam ir para lá brincar ao sábado de manhã, peça-lhes para os levarem depois das brincadeiras. Ou então, tenha uma caixa destinada aos jogos, que pode fechar e organizar facilmente.

・ Se tiver livros que deixou a meio e não considera voltar a ler em breve, pode tirá-los do quarto. Uma mesinha de cabeceira com 3 ou 4 livros que não nos despertam interesse é o caminho ideal para não lermos à noite. Olhamos para a torre como algo que “devíamos” fazer mas não queremos. Se tiver o hábito de ler, sugiro que mantenha só o que tem no momento.

 

 

・ Simplifique a cómoda. Tudo o que são superfícies horizontais tende a ficar gradualmente mais cheio. Com bibelôs, perfumes, maquilhagem, acessórios… Pense na sua visão ideal para o quarto e mantenha apenas o que reflete essa visão. Se a maquilhagem e perfume não podem estar na casa de banho, crie um nicho tipo toucador onde possa ter as coisas de forma aprumada e apetecível. O mesmo para os acessórios, tente mantê-los organizados e de fácil acesso (pulseiras entrelaçadas e anéis misturados com brincos podem tornar tudo mais confuso de manhã).
Uma superfície mais livre é muito mais simples de limpar e manter bonita.

・ Se o seu quarto o permitir, tente ter todas as coisas associadas perto umas das outras. Isto é, crie zonas. Pijamas perto da cama, roupa perto dos acessórios, cadeira perto da janela (pode dar por si a querer sentar-se e contemplar o que se passa lá fora)

・ E por último, mas igualmente importante, faça a cama. São menos de 5 minutos que dão ao seu quarto outros aspeto e fazem com que o ambiente seja mais convidativo.

À parte, a iluminação é muito importante. Experimente ter pontos suaves de luz e substituir as lâmpadas de luz branca fria, por um branco quente. Tem um impacto no ambiente, que fica mais intimista e descontraído.

 

Salvar

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a dor de libertar

 

Como já foi falado, há inúmeras razões pelas quais guardamos objectos.
Seja por valor sentimental, porque pensamos que ainda os podemos vir a usar, ou porque gastámos bastante dinheiro, torna-se doloroso libertarmo-nos das peças. Literalmente.

É compreensível que assim seja:

Uma equipa na Universidade de Yale recrutou diversas pessoas para uma experiência que envolvia desfazerem-se de coisas, onde teriam que decidir o que ficar e o que ir para o lixo. Os cientistas acompanharam a atividade cerebral e notaram que, ao deitar certas coisas fora, alguns dos participantes tinham ativadas as secções responsáveis pela dor e conflito.
Ou seja, confrontadas com estas decisões, as pessoas sentiam que estavam a fazer algo de “errado”, sentindo assim desconforto e ansiedade.

 

 

O nosso cérebro vê a perda de algo com potencial valor como fonte de dor.
Assim, quanto mais comprometidos estamos emocional ou financeiramente com algum objecto, maior dificuldade temos em “deitar coisas fora”.
Então, o acto de manter as coisas dá-nos uma sensação momentânea de calma e segurança. Mas é uma pequena mentira que contamos a nós mesmos, este conforto de adiar a decisão.

Porque afinal, é essencial conseguirmos perceber o que é realmente importante para nós, separando o que não é tão importante.

A questão é que devemos ter consciência e conseguir lidar com essa fração de dor, lembrando-nos que procuramos um bem maior, que é um espaço tranquilo, seguro, limpo e reflexo do nosso “eu”.
E mais tarde, o stress da libertação passa a amenizar-se, uma vez que a nossa mente já assimilou que é um “mal necessário”, fundamental para o nosso bem-estar.

 

 

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Subtilezas

 

Nós somos seres de subtilezas.
Uma nuance nalguma coisa que não gostamos e deixamos logo de querer usá-la.

Quando olha para o seu guarda-fatos, por exemplo, e vê alguma peça que adia usar repetidamente – “Um dia vou usar mas hoje não me apetece!” –  deve perguntar-se a si mesmo porque é a evita. Qual o detalhe que o incomoda? Ou o que é que acha desconfortável?
Pode ser a tonalidade da peça, o desbotado no colarinho ou o punho demasiado largo.

Este tipo de pertences negligenciados existem um pouco por toda a casa: uma caneta que não lhe agrada, um creme de que não gosta da textura ou um cobertor que arranha na pele. Todos estes são detalhes que pode questionar no seu quotidiano.
Se pausar e for honesto, percebe que há algo que não assenta no seu estilo, personalidade ou no seu modo de vida.

 

 

Assim, em vez de simplesmente manter a peça e continuar a ignorá-la, enfrente-a!
“Porque é que não a uso?”.
Se for algo que se arranje, pegue nela e ponha-a pronta a ser consertada.
É preciso ir ao sapateiro? Coloque-a à porta e no dia seguinte quando sair, leve-a.
Essa camisola tem um ar demasiado gasto? Pouse-a no braço do sofá e nessa noite, quando estiver a ver um filme, ataque-a com a máquina de tirar borbotos.

E, se simplesmente achar que não há solução, ou que o trabalho/custo de a recuperar não vale o esforço, aceite tal facto e não pense que “amanhã” talvez a use…
Porque quando não gostamos de algo hoje, dificilmente vamos passar a gostar amanhã.
Dê-a ou recicle-a.

Num episódio pessoal, lembro-me de uma carteira que esteve em pausa durante demasiado tempo. Um dia, quando peguei nela e mais uma vez pensei “Hmmm, hoje não”, percebi que era a alça que estava demasiado comprida. Ficava-me mal pelo comprimento que tinha!
Então decidi: ou arranjo ou dou.
Optar por repará-la foi a melhor coisa. Hoje em dia é muito usada e escuso de procurar mais carteiras pretas porque a que tenho é perfeita!