O POSITIVO DO ESPAÇO NEGATIVO

Nos variados tipos de arte, o espaço negativo refere-se ao espaço “em branco”, deixado intencionalmente para dar mais impacto ao que existe, ao que está retratado ou figurado. Assim, também na música, é especialmente importante, para realçar partes da composição, ou para “deixar respirar” a melodia.

Esta pausa, este vazio consciente permite elevar o que existe – por contraposição – e proporciona, acima de tudo, um momento para os nossos sentidos descansarem. Acrescenta-se valor à peça, ao retirar elementos.

 

 

A importância deste conceito aplica-se na casa, e influencia a forma como sentimos e experienciamos o nosso espaço. Pode ser tão impactante olhar para um vazio como para um estímulo visual. E é este equilíbrio que nos permite apreciar os dois – o estímulo e o vazio.

Sabe-se que o nosso cérebro está permanentemente a processar a informação – mesmo que de forma inconsciente – daquilo que observamos (textura, cor, tamanho, significado…). E que a informação excessiva é mais difícil de absorver do que quando agrupada em partes.

Ou seja, apesar do ser humano ter uma inclinação natural para preencher os espaços vazios, ironicamente cria uma distração visual para o que lhe é realmente importante. Assim, se tivermos uma parede branca, um intervalo, o repouso para o olhar, estamos a criar o negativo à volta do positivo – dando-lhe mais força.
Proporcionamos calma e tranquilidade.

Que lugar melhor que a nossa casa para nos presentear com essa paz?

Sugiro que, em vez de procurar preencher as paredes e os cantos vazios, considere aceitá-los. Em vez de procurar qual o quadro, ou o móvel que vai comprar a seguir, pense qual vai ser sítio que deixa em branco. Crie a oportunidade de apreciar o que é relevante.

Só com o negativo é que vemos o positivo.

 

 

Imagem: Negative Space Rocks

 

“Pratos na banca, um armário atafulhado com coisas em que raramente tocamos, brinquedos pela casa, objectos a encher tudo o que é superfície.
Este ruído não só faz a nossa casa parecer mal, mas também nos faz sentir mal.”

 

Esta foi a conclusão a que a UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) chegou, enquanto explorava a relação que 32 famílias californianas tinham com o seu espaço e os seus objectos.
Esta experiência resultou num livro, “Life at Home in the Twenty-First Century”: um olhar sobre a forma como interagimos com as nossas casas e a quantidade de coisas que acumulamos durante o percurso da nossa vida.

Resulta que a “tralha” tem um profundo impacto negativo no nosso humor e auto-estima.

 

 

Este estudo interdisciplinar entre antropólogos, sociólogos e psicólogos chegou às principais conclusões:

• Apesar dos consumidores americanos terem apenas 3% da população global de crianças, compram cerca de 40% da produção de brinquedos – reflectindo o modo de vida ocidental.

• Existe uma relação directa entre a alta concentração da hormona do stress cortisol (sobretudo nas mulheres) e a densidade de objectos em casa.

• Mesmo quando as pessoas tomam a decisão de organizar a casa, acabam por ficar emocionalmente paralisadas, ou porque não conseguem quebrar o elo sentimental que têm com os objectos, ou porque acreditam que cada item tem em si um potencial valor monetário.

Este trabalho apresenta sólidos pontos de vista, funcionando assim como um alerta para aquilo que vamos ignorando e aceitando como normal, mas que resulta numa forte influência na nossa forma de estar.

Alguns passos simples para uma primeira abordagem a este problema podem incluir:

Regra dos 2 minutos

Se alguma tarefa demorar 2 minutos ou menos, faça-a no momento. Lavar o prato depois do almoço? Pôr a publicidade na reciclagem? Fazer aquele telefonema que está anotado no papel há uma semana? Faça-o agora. É surpreendente a quantidade de tarefas que adiamos sem necessidade e depois se vão empilhando. Pôr em prática esta regra simplifica tudo.

Os cinco rebeldes

Cada vez que se levantar da secretária ou sair de um quarto, ponha 5 objectos espalhados no seu devido lugar. Usou os post-its, lápis e agrafos? Assim que acabe o que está a fazer, reponha-os no seu sítio. Esteve a experimentar roupa? Assim que faça a sua escolha, arrume as outras peças.

Refresque o frigorífico

Quantas vezes passa pelo frigorífico? Sabe o que está exposto na porta? Listas, lembretes desactualizados, fotografias, ímans gastos pelo sol?
O mesmo grupo de estudo (UCLA), numa outra reflexão mostra a correlação entre o número de objectos “colados” no frigorífico e a quantidade de coisas que há no resto da casa, isto é, uma denota-se maior negligência para com as superfícies sobrecarregadas.
Liberte-se dos ímans que não gosta, guarde (ou deite fora) os menus dos restaurantes, e talvez não precise “daquele” calendário…
Ao folgar o frigorífico, dá um passo para criar uma casa folgada também!

 

É com gestos elementares que se vão implementando rotinas que fazem a diferença no dia-a-dia. Passo a passo, peça a peça!

 

funday monday!

 

Uma rubrica semanal para expor ideias, esclarecer e  inspirar.

Porque as segundas-feiras estão cheias de potencial!