SOBRE O TEMPO

 

Olá e bem-vindos de novo ao Funday Monday!

Hoje falamos sobre algo que tenho andado a aprender nestas últimas semanas – o controlo do tempo e do que nos rodeia.

Antes da chegada desta linda bebé, sabia que ia ter menos tempo para as minhas coisas, mas estava longe de imaginar que o dia-a-dia ia ser tão imprevisível e que ia sentir tanta impotência no controlo desse tempo.
Aceitar esta realidade não foi fácil, mas com o passar dos dias tenho vindo a aperceber-me que, ao ter menos liberdade para as minhas coisas, é importante selecionar bem como e onde quero passar o meu tempo livre.

Precisei então de me libertar dos afazeres supérfluos – daqueles que menos gosto – para ter tempo para o que é mais importante.
Assim, as tarefas que tinham de ser feitas “um dia”, mas que muitas vezes adiava, foram eliminadas dos meus planos. Menos uma coisa a pairar na minha mente como “tenho de fazer, mas não agora”. Menos um fator de frustração.
Aos objetos que tinha de arrumar, mas iam ficando “para depois”, decidi olhá-los com atenção e perceber se queria mesmo mantê-los.
Até as plantas – que tenho de regar – mereceram consideração. Vale a pena passar tempo a cuidar de plantas que não aprecio especialmente?

 

 

Desta forma, este novo e grande acontecimento na minha vida só veio reforçar uma ideia:
Independentemente da fase em que estamos, existem coisas que estão sob o nosso controlo, e outras que nos fogem.
Naquilo que podemos controlar, é essencial sermos verdadeiramente honestos com o que somos e o que gostamos. Devemos perceber que o tempo – ao ser limitado – é precioso, assim como o nosso espaço.
Por isso, é importante rodearmo-nos apenas do que nos proporciona prazer. Tudo o resto, tem mesmo de estar na nossa vida, ou está só a ocupar um espaço que poderia servir para algo melhor?

 

 

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ADAPTAÇÃO HEDÓNICA

 

Já ouviu falar?
Este acontecimento pode definir-se pela nossa tendência em voltar a um estado de normalidade relativamente rápido depois de um acontecimento que nos traga muita alegria ou tristeza.
Ou seja, com o tempo a nossa mente tende produzir uma reação oposta aos eventos que nos vão acontecendo – sejam eles de entusiasmo ou mágoa. Quase como uma balança de pesos.

O estudo pioneiro foi feito em 1978 por Brickman, Coates e Janoff-Bulman e comparou o estado emocional de uma pessoa que tinha ganho a lotaria e outra, no espectro oposto, que tinha ficado paraplégica depois de um acidente. Comparados com um grupo de controlo – e após o impacto inicial dos acontecimentos – ambas as partes mostraram níveis emocionais normalizados.
Desde então têm-se desenvolvido estudos sobre o tema e aparte de alguns ajustes, o essencial continua pertinente:

A nossa felicidade a longo prazo não é significativamente afectada pelas ocorrências e factores externos na nossa vida.

 

 

Agora aplicado em situações do quotidiano: imaginemos uma compra interessante ou um evento no qual depositámos muitas esperanças – um aumento de salário, ou a compra de uma nova casa, por exemplo. Acontece que passado o entusiasmo inicial, voltamos ao nosso estado normal. Com a habituação ao novo estímulo, o seu efeito vai diminuindo com o tempo e em breve estaremos de novo à procura de algo mais.

O desejo não tem descanso” dizia Santo Agostinho.

Isso quer dizer que aquela sensação agradável quando conseguimos os bens materiais se esgota rapidamente. Por mais que acumulemos, não conseguimos aumentar o nosso bem-estar nem mesmo mantê-lo de forma sustentável. Assim, perante aquela compra que achamos que nos vai completar um bocadinho mais e trazer-nos felicidade duradoura, pensemos duas vezes. Será mesmo assim?

Então…
como contornar este ciclo vicioso e termos um sentimento de maior plenitude no dia-a-dia? A solução passa por reavaliarmos os nossos valores, objectivos e interpretação das situações.
Isto é, construir o nosso bem-estar a partir de dentro e rodearmo-nos daquilo que gostamos mesmo. Assim torna-se mais simples sentirmo-nos gratos todos os dias.

TUDO O QUE TEMOS JÁ O QUISEMOS ALGUMA VEZ

Tudo o que temos já o quisemos alguma vez. Pense nisso, é verdade.
Praticamente tudo aquilo que nos rodeia está onde está porque a dada altura o quisemos e por isso o adquirimos.

E aliás se repararmos, ao longo do tempo fomos cumprindo muitos dos nossos desejos: projetos que começámos, hobbies que desfrutámos, roupa que nos fez sentir confiantes e bonitos, utilidades que nos simplificaram o dia-a-dia. E esse foi esse o propósito dos objetos quando os comprámos: satisfazer-nos naquele momento.

Partindo desta ideia, podemos sentir-nos gratos porque na realidade cumpriram-se mais “quereres” do que aqueles que ficaram por satisfazer!

Mas também é bom percebermos que, como se mudam os tempos, é natural que as vontades também de mudem. É inevitável mudarmos alguns gostos e prioridades à medida que crescemos.
É verdade que há certas peças que vamos apreciando de igual forma através do tempos – aquele tipo de peças que gostamos e usufruímos com o mesmo gosto do primeiro dia.
Mas por outro lado podemos aceitar que há outras que já não queremos: fizeram parte de uma fase, satisfizemos o desejo na altura, mas agora já não o desejamos. E está tudo bem!

Assim, se aceitarmos esta ideia, é muito mais simples tomar decisões. E é bom ter esta liberdade de escolha com o que nos rodeia!
O ideal é que seja uma escolha consciente, relaxada e livre de pressões ou culpas quanto a deixar ir alguma coisa. Abrir a porta para algumas coisas irem, e outras entrarem.

Quando comprar algo novo – caro ou barato, seja por impulso ou simbolize um querer que vem desde há muito – pense “um dia posso deixar de querer isto e não há problema!”
Vamos abraçar o facto de algumas coisas serem passageiras na nossa vida! E apreciá-las hoje, enquanto nos trazem valor!