SPA EM CASA

 

A casa de banho é muitas vezes deixada para último plano quando se pensa em melhorar o nosso espaço. Normalmente é tido como um compartimento menos “glamoroso”, mas não tem porque ser assim.
É onde nos refrescamos e relaxamos com um bom duche, ou nos aperaltamos para começar o dia com mais confiança. E é um sítio que – se for bem pensado – pode funcionar como um retiro.

Para começar elimine os excessos, isto é, as coisas que criam ruído e atrapalham.

Em continuidade com um artigo anterior acerca de coisas a eliminar na casa de banho, apresentamos mais três categorias para rever!

 

ACESSÓRIOS DE CABELO QUE NÃO USA

É difícil resistir às modas dos penteados. Desde a bandolete, passando pelos ganchos e pelos diversos apetrechos que fazem o apanhado perfeito. Passe tudo a pente fino. Pode ter comprado na curiosidade, ou porque o seu cabelo tinha um comprimento diferente ou simplesmente porque a peça encaixava no seu estilo. Se já não usa, porque está a ocupar espaço no seu precioso spa?
Mesmo que os elásticos fru-fru voltem e os queira voltar a usar, vai de certeza querer adotar a versão atualizada. Liberte-se das antiguidades que já não lhe trazem valor. Deixe ficar as peças que usa e gosta (independentemente de há quanto tempo as tem).

 

 

ELETRODOMÉSTICOS A MAIS

Até na casa de banho os há. Secador, máquina de alisar, rolos, depiladora, máquina de cera, sauna facial, esfoliador de pés, aquecedor, secador de tolha…
Todos estes aparelhos ocupam bastante espaço e se não os usa, estão definitivamente a mais! É o momento de dizer adeus. A sua casa de banho merece ser bonita, arejada e funcional.
Seja realista e evite ter objetos redundantes. Se usa só a depiladora, faz mesmo questão de ter a máquina de cera “caso um dia a depiladora se estrague”?
E a balança? Se não usa e se se pesa apenas nas consultas de rotina ou na farmácia, talvez não lhe faça falta no dia-a-dia. Liberte-se desse peso! Literalmente.

 

AMOSTRAS DE PERFUMES E CHAMPÔS

Se tem muitas amostras de viagens ou da perfumaria, está na altura de as enfrentar. Sim, as embalagens são práticas, e até tinha a intenção de experimentar os novos produtos, mas a ideia é usar assim que recebe. Caso contrário, vão-se acumulando para “um dia” levar na sua mala, ou “talvez” quando o seu perfume acabar. Avalie. Se faz questão de os experimentar, faça-o agora. Coloque em pausa os seus produtos habituais e use as amostras. Se gostar, anote para depois comprar em tamanho normal. Afinal, as amostram foram inventadas com esse propósito.
Se as amostras que não quiser usar ainda estiverem fechadas, sempre pode oferecer a uma instituição.
O espaço libertado por estes “pequenos” vai ser mais útil do que o espera.

E assim, se vai criando um ambiente leve e limpo, ideal para uma casa de banho agradável!

A PROVA DOS NOVE

 

O PROBLEMA

Já se viu na situação de querer aliviar alguma parte da sua casa, e quando chega o momento de decidir sobre se gosta ou não de uma peça, bloquear?

É uma sensação frustrante e desmotivante, quando na verdade o processo de libertação devia ser fluido e ritmado.

Esta é uma situação comum, já que podemos ter sentimentos contraditórios em cada objecto com que nos vamos cruzando. Assim, discernir sobre o sentimento que prevalece é o mais importante. Faz-me sentir bem? Traz valor à minha vida? Ou não?

Este tipo de dilemas pode ser mais frequente em peças de roupa, material de leitura ou temas pendentes, ou seja, um pouco por toda a casa.

 

A SOLUÇÃO

O que acaba por ser uma solução eficaz para este impasse é fazer a prova dos nove.
Por outras palavras, “agora ou nunca”.

Caso tenha dúvidas sobre se usa, se gosta, se lhe fica bem, se vale a pena avançar com o projeto, se tem tempo para ler aquelas revistas…. ponha-se à prova!!

 

 

Assim, sugiro que se comprometa com um período de tempo (curto, de preferência) para usar a tal peça ou recomeçar o projeto inacabado. Dê destaque ao objeto e coloque-o à vista durante os dias propostos para se lembrar que existe e está ali para ser usado.
Se, acabando o período, não usou, ou fê-lo mas não lhe deu especial prazer…pergunto: será que vale ter um lugar na sua casa? Será assim tão útil, tão pertinente ou extraordinário?

A grande questão é: se não teve tempo para algo até agora, não estava na sua lista das prioridades. Não o fazia particularmente feliz nem era suficientemente importante. Em que é que o “amanhã” vai ser diferente para que de repente lhe apeteça desfrutar ou dar uso do objecto?

Eu própria coloco as minhas peças à prova constantemente… não tenho a certeza se gosto de uma camisola? Amanhã uso e vejo como me sinto. Uma data de artigos que estão ali à espera de ser lidos? Vou tê-los à mão e se não “tiver tempo” para começar a lê-los no prazo de um mês, então talvez não sejam assim tão interessantes.

Este processo é maravilhoso na medida em que nos estimula a questionar o que nos rodeia e a tomar as decisões que precisamos de tomar, em vez de as adiarmos ou convencer-nos de algo que não é a nossa verdade.

 

TER OU ACEDER

Eis a questão!

Muitas das suas coisas trazem valor ao seu dia-a-dia e é por isso que as tem. Normalmente são coisas que realmente gosta, práticas ou cómodas e que lhe simplificam a vida. Seja a sua roupa, a máquina de café ou um secador de cabelo… indubitavelmente, há peças de que retira valia frequentemente.
Pense neles como os seus “essenciais”.

Mas há outras, que são de uso raro ou esporádico.
Pode ser um produto que apenas foi útil numa ocasião ou que só precisa de tempos a tempos, tal como um livro que só leu uma vez, um escadote que necessita de ano a ano ou um aparelho de culinária que queria experimentar mas que perde logo a graça. E possivelmente só mantém pois “pode vir a precisar um dia” ou “às vezes dá jeito”.

Reflectindo, a verdade é que quando queremos ou precisamos de algo na nossa vida, o impulso que temos é comprá-la no imediato. Tê-la como nossa.

Mas e que tal se…

…explorássemos a possibilidade de aceder a algo sem ter que a ter de imediato? Utilizá-la e depois não ter de “pesar” no nosso espaço?
A verdade é que muitas vezes temos a oportunidade de aceder a um produto (isto é experimentá-lo ou usá-lo apenas quando precisamos), antes de tomar a decisão de trazê-lo definitivamente para casa.

No caso do escadote, será que não o pode pedir emprestado ou sugerir ao condomínio ter alguns equipamentos partilhados?
O mesmo se aplica a ferramentas que é muito raro usar ou novas utilidades que não tem a certeza que se vá adaptar (utensílios de cozinha ou de escritório, por ex.), sempre pode pedir emprestado a um familiar ou amigo. Se gosta e imagina o seu uso regular, compre com toda a confiança!

Felizmente com a tecnologia de hoje, até se pode aceder às coisas que mais gostamos sem ter de as ter fisicamente. Seja o Netflix ou Amazon em vez de filmes e séries, ou o Spotify em vez de CD’s. Até a clássica biblioteca ou museus, tão bons para nos inspirarmos e cheios de cultura disponível!

 

 

A verdade é que somos todos diferentes, e não há sugestões fixas.
Se por exemplo, gosto de sublinhar um livro ou ouvir um vinil da minha colecção, não há “empréstimos” que me valham. Mas certamente também não dispenso uma ida à biblioteca e folhear antes de comprar.

O importante é descobrir o que é realmente valioso para nós e para o nosso quotidiano, e que compense efectivamente ter em casa.

Este, o empréstimo ou aluguer, não é um hábito que esteja instalado na nossa cultura. Mas se considerarmos mesmo isto e o pusermos na prática, acabamos não só por poupar dinheiro na compra, como espaço na nossa casa e até tempo na manutenção…é um alívio.