Home office – trabalhos em casa

 

Enquanto gostamos de pensar que o nosso escritório transparece eficiência, lucidez e estímulo, na maior parte das vezes parece que funciona como um íman para todo o tipo de objectos.
Revistas, facturas, canetas, manuais de instruções, garantias…
Coisas tão pequenas, que quase não ocupam espaço… Mas que juntas, conseguem atafulhar toda uma divisão.

Na realidade, o escritório de casa é um mundo por si só. Serve para pagar contas, guardar correio, estudar e às vezes, trabalhar a tempo inteiro. É um espaço de actividade e concentração. E por ser tão polivalente, tende a ser confuso.

Há várias pontas por onde se pegar nesta área da casa, mas começamos pelo mais imediato: a secretária! Uma superfície que devia ser leve e espaçosa, mas muitas das vezes, até o gesto mais simples de abrir um livro se pode tornar sufocante.

 

 

Muitos de nós gostamos de manter tudo em cima da secretária. Assim, qualquer coisa que precisemos está acessível.
Mas a verdade é que quando estão tantas coisas num só rectângulo, então essa área passa a ser obstruída e confusa. Uma boa solução são módulos de gavetas e estantes de mesa, ou seja, organização vertical. Aproveitar o espaço abaixo e o espaço acima da secretária.

Designe algumas coisas que queira ter em cima da mesa: um par de canetas, uma planta, o computador. O que seja. Sente-se na cadeira e veja qual a disposição que mais gosta, que lhe dê liberdade de movimentos e que lhe seja prático. Visualmente atraente. E a partir daí, obedeça ao layout que criou.

É… e o que é que eu faço às minhas coisas? Eu preciso de as ter à mão!

 

Tenha uma gaveta com materiais de escritório: tesouras, agrafos, etc. É para lá que vão as coisas da mesma categoria.  Arrume-as depois de as usar. Quando voltar a precisar, estarão tão perto como se estivessem em cima da mesa, mas criam muito menos ruído visual.

A regra do “mais útil, mais perto” aplica-se aqui, isto é, nas gavetas mais próximas, os objectos usados diariamente, e por aí adiante.

Pode criar uma zona (limitada!) para assuntos pendentes/urgentes/para arquivar, e é para lá que vão os papéis. Assim, num relance, consegue perceber a quantidade de coisas que tem a tratar.
Afinal precisa de rever aquele documento que ainda há pouco arrumou? Estique o braço e consulte-o.

Uma ideia importante a reter: manter os espaços horizontais livres. Se não chegar começar uma pilha, ela não tem sequer oportunidade de crescer!

E quando acabar o seu trabalho, deixe a secretária limpa e preparada para acolher a próxima tarefa. Não custa nada e torna tudo mais eficiente.

 

casas: s, m l, xl.

 

Diversos estudos de arquitectura e antropologia concluem que durante o século XX as casas foram aumentando significativamente de tamanho, não devido a necessidade, mas por expectativas crescentes do que são condições de luxo e conforto.

É interessante saber que desde os anos 20, o tamanho médio das casas aumentou para o triplo!
Ou seja, apesar das famílias serem mais pequenas hoje em dia, as casas continuam a crescer.

A verdade é que de certa forma se estipula que “uma casa minimamente confortável” é espaçosa, mas por outro lado, quanto mais espaço existe, mais tendência há para o preencher, e quanto mais preenchido, menor o conforto e fluidez de movimento, menos tranquilidade.
Ora, quando sente que tem a casa muito apertada, procura uma maior, e por aí adiante…
Cria-se aqui um ciclo vicioso que tende a continuar.

O mais curioso é que isto se aplica em tudo! Quanto mais tempo temos para fazer um trabalho, mais nos prolongamos e tardamos em terminá-lo (de qualquer das formas ficamos até à data a aperfeiçoá-lo), quanto maior uma mala de viagem, mais coisas tentamos colocar dentro…

O mesmo se passa com as nossas casas. Ao darmos liberdade, por exemplo, a um sótão ou garagem para serem “quartos de arrumos”, mais tolerância nos damos a nós mesmos para manter lá tudo. Nem questionamos se nos devemos libertar ou não das coisas que não nos são úteis… porque há espaço! E à primeira oportunidade lá compramos mais coisas que não precisamos.

 

Estima-se que cerca de 25% das pessoas com garagens para dois carros não consigam sequer estacionar lá um dos carros… Parece incrível, mas a verdade é que as actividades do dia-a-dia se vão apoderando do nosso tempo, e se não formos intencionais no “destralhe”, as coisas ganham raízes e estacionam lá por demasiado tempo.

Defina quais os propósitos desse compartimento: Escritório? Oficina? Acessórios de desporto? Estacionar o carro? Força.
Se necessitar mesmo, assuma que tem arrumos, mas delimite um espaço para eles. E deixe livre o máximo espaço possível. Mais fácil de limpar, mais arejado, mais agradável.

 

 

O Caso dos Naperons especiais

 

A minha avó – como muitas avós – era (e é) formidável com bordados, rendas e crochés. Era um passatempo e uma arte, de onde saíam maravilhas cheias de detalhes.

Ora, ela tinha uma colecção permanente do dia-a-dia, que distribuía pela casa, ia usando e lavando, e remendando algum buraquito extra que aparecesse.
E tinha também a colecção dos “muito bons”, cuja excelência do trabalho e o tempo usado para fazer cada peça, já os elevava a um novo patamar. “Estes vão ser para a casa nova“, dizia ela.

Efectivamente mudaram uns anos depois para uma casa nova e maior.  Mas os naperons normais ainda serviam! Estavam bons e bonitos, e os outros especiais ainda não eram para já. Talvez para as festas.

 

 

 

E nisto, a avó continuava a fazer mais naperons e paninhos. Os bons eram postos a uso, os “muito bons” iam para A caixa.
Os anos foram passando, a vida aconteceu, e as peças especiais fechadas n´A caixa. O plano era que fosse para a próxima  “casa nova”, uma mudança que estavam a planear num futuro próximo.
E quando passado uns anos, foram para a casa nova, os naperons normais estavam impecáveis. Iam, claro, continuar a ser usados!

Entretanto, a minha avó já é avó, idosa.

E apesar de ter uma colecção rica de peças, há uma série delas ainda mais rica. Está fechada, e praticamente esquecida…

Para mim, este episódio gracioso e tão comum reflete mais uma vez uma forma de pensar e de (não) usufruir do que temos, que devia ser mais intencional e mais proactiva!
São estas pequenas coisas e detalhes que fazem o nosso ambiente mais especial e mais nosso, então porque não sacá-las cá para fora e desfrutar? O presente é suficientemente importante. 

 

 

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