NUNCA É CEDO DEMAIS PARA SE SER ORGANIZADO

Com o pretexto do regresso às aulas, uma mãe pediu ajuda para organizar o quarto da sua menina.
Uma menina com coisas acumuladas ao longo dos seus 10 anos, que via beleza e importância em todos os seus pertences, e claro, uma necessidade vital de ter todos os seus peluches!

O objectivo seria que ela deixasse de distribuir brinquedos pela casa e deixá-los esquecidos nos cantos, que organizasse as suas roupinhas no final do dia e que tivesse efectivamente espaço para brincar e uma mesa para estudar e desenhar.

Em primeiro lugar foi necessário introduzir alguns conceitos: tralha e desorganização versus tranquilidade e espaço de movimento, estar rodeado só do que se gosta.
A partir daí, com tempo e dedicação, tudo se torna mais fácil.

Começámos por seleccionar roupas. Neste caso havia algumas que já não lhe serviam e a gestão do espaço não era a melhor.
A roupa dobrada na horizontal e empilhada provoca mais vincos e cabem menos peças. A solução de dobrar roupas na vertical faz com que se consiga ter um relance geral quando se abre a gaveta e proporciona muito mais arrumo.

 

…de seguida o grande desafio foram os brinquedos. Apesar de passar muito tempo na brincadeira, só há uma pequena parte que realmente lhe traz sorrisos e horas de diversão.
O facto de todos estes itens estarem pela casa fez com que não tivesse uma noção real da quantidade de coisas que tinha. Assim, juntámos tudo num só sítio, o que lhe causou algum choque, que nem sabia ter tanta coisa…! E mergulhámos!

 

No final, foram mais de 15 sacos grandes de brinquedos e cerca de 13 jogos para dar! E muitas idas à reciclagem…
Vitória!!

 

E por fim, material escolar e criativo.
Juntámos tudo num sítio…mais uma vez, ela não fazia ideia do tanto de tinha! Muitas peças repetidas e algumas já esquecidas há muito. Separámos os objectos por categoria e com grande foco da parte dela, foi sabendo seleccionar os que de facto gostava mesmo e lhe eram úteis. No fim, até deu para montar um mini-escritório num espaço que agora estava livre.

E numa secretária onde já quase nem se via a base passou a ter um sítio airoso para desenhar, ler e estudar.

 

E por fim, a transformação fantástica deste quartinho!

 

Num outro quarto que agora estava livre, decidimos montar um quarto de brincar, com os brinquedos que ela gosta mesmo e fazem a infância dela mais sorridente. É impressionante ver de uma forma tão simples e clara como o espaço influencia o bem estar de alguém, seja qual for a idade.

 

“Agora até tenho um quarto bonito de brincar!”

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O mito dos livros

 

Sempre considerei que ter em casa uma biblioteca bem recheada era fantástico.
Prateleiras cheias de aventuras, imagens bonitas, conhecimento e obras clássicas era algo que todos deviam ter, uma colecção crescente que se ia construindo ao longo de uma vida.

“Os livros nunca são demais, quantos mais melhor!”

Sim, na nossa vida, não na estante.
Quantos mais livros lermos, melhor. Em mais histórias mergulhamos, de mais sabedoria bebemos, estimulamos a imaginação…enfim. Ler é maravilhoso.

Mas agora pergunto: dos que já leu, quais os livros que vai voltar a ler? Dos que tem em casa, quais são aqueles em que vai voltar a pegar, entrar nas profundezas das páginas e deixar-se levar, capítulo após capítulo?
Provavelmente, uma pequena percentagem. Digo por experiência própria.

Os livros servem a sua função enquanto os lemos, inspiram-nos com as palavras e levam-nos mais longe. Digerimos a informação e assim somos pessoas um bocadinho mais ricas. E pronto, é isso. O livro cumpriu o seu propósito.
Depois disso, voltam à prateleira, e voltam a ser palavras em folhas de papel coladas, uma capa que fica à espera de ser aberta outra vez. O que honestamente, muitas vezes não acontece. Há muito poucos livros que escolhemos ler outra vez, em vez de ler um novo.

E com esses, aqueles poucos volumes que lemos e relemos várias vezes ao longo do tempo… esses são os trazem verdadeiro prazer, os nos falam ao coração, e claro, que valem a pena manter.

Os outros, já sabe…!

UM DIA…

Pense nos livros que vai comprando, e imagina que os vai ler “um dia”. E guarda-os, porque “posso querer lê-los um dia”. Ora bem, esse dia provavelmente não vai chegar.
A verdade é que os livros que ainda não leu – com o potencial que têm de ser lidos alguma vez no futuro – são muito mais difíceis de descartar do que o que já leu, esses em que o potencial está cumprido. Mas reconheça: entre o momento que chegaram até si e o agora, preferiu fazer outras coisas, ler outros livros, passar o seu tempo de outra forma. E vai continuar a preferir outras actividades, e ele vai continuar ali esquecido.

Se o livro não teve uma função na sua vida até hoje (ou provavelmente a função era apenas dar-lhe um sorriso quando lhe pegou pela primeira vez), o que é que vai mudar amanhã? Não insista mais e deixe-o ir.
De qualquer das formas é muito mais interessante para si ler “aquele” livro que o prende agora, do que o outro que está ali abandonado.

 

OS GRANDES CLÁSSICOS

E os livros clássicos…Ah, esses! Achamos que são os “obrigatórios”, aqueles que têm que ser lidos, pelo menos uma vez na vida.
Grandes Esperanças, Moby Dick, A Volta ao Mundo em 80 dias, As Vinhas da Ira, Os Maias… a lista é interminável.
Já li alguns, já deixei alguns a meio, ainda não li grande parte. Há uma pequena porção desses que me emocionaram tanto, que cada vez que os vejo, inspiram-me. Há outros em que só o título me leva a mundos distantes e exóticos. São esses os que “brilham”. Os demais? Fora!

 

LIVROS DE CONHECIMENTO

Dicionários de línguas que pretendeu aprender um dia (mas continua a usar o google translate e, quando viaja, fala a língua que lhe é mais confortável); resumos de seminários em que participou; livros de curso que são tão interessantes, mas não o suficiente para lhes voltar a pegar desde que acabou os estudos; livros com técnicas incríveis de fotografia, mas que opta por ser espontâneo quando carrega no botão…
A informação que está lá fechada, de nada serve se continuar fechada.
O conhecimento escrito por si só não faz nada. É sua a decisão de o ler, de o interiorizar e fazê-lo seu.

Se não lhes dedicou tempo e foco até agora, aceite que tem outros interesses e prioridades. Aprendeu o que devia naquele momento, agora abra espaço para aprender outras coisas!

 

OS QUE TINHAM UMA FRASE INSPIRADORA

Não guarde um livro só porque tinha um par de frases inspiradoras. Retire-as ao reescrever no computador, ou faça um scan, e doe o livro.

 

 

Libertar-se dos livros que não lhe trazem valor, tem duas grandes vantagens:
1. Quando comprar o novo romance que está ansioso por ler, já vai ter espaço na prateleira
2. Acabam-se as culpas do “devia” ler, “devia” saber, etc. Tenha em sua casa só aquilo que “brilha” e lhe traz leveza, não peso.

 

Há inúmeras opções para onde dar os livros: bibliotecas, escolas, instituições de caridade, alfarrabistas ou até vendedores de feiras (pode oferecer-lhes ou pedir um preço simbólico). Assim, dá oportunidade aos seus livros de terem uma nova vida.
E de qualquer das formas, se quiser mesmo voltar a ler algum livro de que já tenha desfeito (pouco provável), sempre tem a biblioteca ou se optar por comprar, faça-o, e leia-o desta vez.

 

Seja sincero consigo mesmo.
E lembre-se:
Os livros que temos na estante não são a identidade da nossa história. A forma como nos comportamos, aquilo que sabemos e o que gostamos hoje em dia – isso é que forma a identidade da nossa história, daquilo que já gostámos e já lemos e já fomos. O seu EU hoje reflecte a sua história por si só.

 

“Para os livros, o timming é tudo. O primeiro momento em que encontramos um livro em particular é o momento certo para lê-lo.”

-Marie Kondo

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O POSITIVO DO ESPAÇO NEGATIVO

Nos variados tipos de arte, o espaço negativo refere-se ao espaço “em branco”, deixado intencionalmente para dar mais impacto ao que existe, ao que está retratado ou figurado. Assim, também na música, é especialmente importante, para realçar partes da composição, ou para “deixar respirar” a melodia.

Esta pausa, este vazio consciente permite elevar o que existe – por contraposição – e proporciona, acima de tudo, um momento para os nossos sentidos descansarem. Acrescenta-se valor à peça, ao retirar elementos.

 

 

A importância deste conceito aplica-se na casa, e influencia a forma como sentimos e experienciamos o nosso espaço. Pode ser tão impactante olhar para um vazio como para um estímulo visual. E é este equilíbrio que nos permite apreciar os dois – o estímulo e o vazio.

Sabe-se que o nosso cérebro está permanentemente a processar a informação – mesmo que de forma inconsciente – daquilo que observamos (textura, cor, tamanho, significado…). E que a informação excessiva é mais difícil de absorver do que quando agrupada em partes.

Ou seja, apesar do ser humano ter uma inclinação natural para preencher os espaços vazios, ironicamente cria uma distração visual para o que lhe é realmente importante. Assim, se tivermos uma parede branca, um intervalo, o repouso para o olhar, estamos a criar o negativo à volta do positivo – dando-lhe mais força.
Proporcionamos calma e tranquilidade.

Que lugar melhor que a nossa casa para nos presentear com essa paz?

Sugiro que, em vez de procurar preencher as paredes e os cantos vazios, considere aceitá-los. Em vez de procurar qual o quadro, ou o móvel que vai comprar a seguir, pense qual vai ser sítio que deixa em branco. Crie a oportunidade de apreciar o que é relevante.

Só com o negativo é que vemos o positivo.

 

 

Imagem: Negative Space Rocks

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