VAMOS ÀS COMPRAS

Ainda no seguimento do artigo anterior, quando decidimos organizar o guarda-roupa, é essencial saber decidir o que fica e o que não.

Assim coloco mais uma questão interessante que ajuda sempre!

Voltava a comprar esse item?

Imagine que está numa loja, que era a sua roupa que estava à venda. Assim, tal qual está: com esses borbotos na bainha, ou aquele furinho na manga.

Se fosse hoje, voltava a comprar?
E não se importava de ficar 20 minutos na fila para pagar?

Esta pergunta levanta sempre o véu do interesse. Porque às vezes basta pôr-se à prova com esse tipo de perspetivas, para perceber o valor real que algo tem na sua vida e dia-a-dia.
Percebe também se tem cuidado bem desse item ou não. Aliás, caso esteja na dúvida se compraria a peça – não fosse o tal furo, mancha ou borboto – sugiro que trate desses detalhes e depois volte à mesma pergunta.

 

 

Também é provável que tenha uma peça que lhe foi cara, mas não usou tantas vezes quanto isso, ou – olhando para trás – percebe que o dinheiro que investiu não lhe deu retorno.
E com retorno quero dizer bem-estar, confiança, e uso.

Se soubesse o que sabe hoje, voltaria a fazer esse investimento?

Talvez tenha peças que, quando as adquiriu, pensou que as ia usar até à exaustão, mas entretanto apercebeu-se que até agora não lhes deu muita utilidade. E este tipo de conclusões só vem com o tempo – por isso é que é tão bom questionarmos o que temos de vez em quando.

Então:
Se a resposta a estas perguntas for não… será que vale o espaço que ocupa na sua casa?
O melhor é mesmo aliviar para poder encaixar as coisas que realmente gosta, hoje!

 

 

Tudo aquilo que não serve

 

No guarda-fatos, tudo aquilo que não serve – no nosso corpo, nos nossos gostos ou no nosso estilo de vida – já não tem mais propósito no nosso espaço. E por isso pode ir.
Como já falámos, a mudança de estação é um bom momento para mudar a roupa do guarda-fatos também. Assim dá-nos a oportunidade de ver as nossas peças com um novo olhar, e uma certa distância. Só assim podemos ter uma opinião mais clara e tomar as melhores decisões.

É verdade que nos custa libertar de algo de que já gostámos, que tenha sido caro ou até que tenha sido oferecido por alguém querido. Mas há que fazer um esforço para que o que nos rodeie reflita quem somos agora. Neste processo, há que ser implacável e sobretudo honesto!

E o que precisa é um pretexto para ser honesto.
Aqui vai o desafio: se tem dúvidas sobre alguma peça, experimente-a, e use-a no dia seguinte ou nessa mesma semana. Ponha a sua roupa à prova.
Se durante esse dia:
· o fecho o fez sentir-se apertado
· não conseguiu levantar os braços
· sentiu que a bainha é muito curta
· reparou que sobressaía alguma curva indesejada
· percebeu não vai com quase nenhuma outra peça que tenha
· ou outro detalhe que não lhe agrade…
aí tem a sua resposta!

 

É por isso que apesar de gostar de determinada peça, não a usa! Uma simples nuance que o faça sentir desconfortável já é motivo para não escolher esse item quando se veste pela manhã.

Acontece que não precisamos de roupa que nos faça sentir gordos, desajeitados ou descuidados.
Queremos um guarda-fatos fácil e polido, onde toda e qualquer peça nos favoreça e nos represente no nosso melhor.
E sem “ervas daninhas” as escolhas tornam-se mais fáceis!

PORQUÊ ARRUMAR ROUPA FORA DE ESTAÇÃO

 

Chegou o momento. Vamos mudar o guarda-roupa! Roupa de tempo frio entra, peças de verão saem.

Vamos explicar porque é que é benéfico fazer esta troca de roupa fora de estação duas vezes por ano.

Como já referimos, o nosso cérebro assimila muito mais informação do que o que o que parece, ou seja a primeira vantagem é basicamente simplificar visualmente o roupeiro.
Menos informação, menos ruído visual – decisões facilitadas. Como é óbvio não consideramos sequer vestir um casacão no pico do verão, mas pelo o simples facto de ali estar e o vermos, estamos a processar informação desnecessária. Com tantas decisões que temos de tomar no quotidiano este é um detalhe que faz a diferença no começo do nosso dia.

Para além disso, um guarda-roupa que respira e que tem espaço para movimentar os cabides livremente, é um guarda-roupa cómodo e tranquilo. Se pudermos evitar a frustração que é lutar contra cabides e peças sufocadas, melhor!

 

 

Quer queiramos quer não, ver as mesmas peças dia após dia vai desgastando o nosso interesse e sensação de “frescura” e novidade. Assim, se as arrumarmos, quando as formos resgatar vai saber melhor voltar a ver as roupas que tanto gostamos.  Vai ver que lhe sabe muito melhor usar aquele cachecol, depois de tanto tempo sem o ver. É uma sensação que se compara à de ter roupa nova!

Por outro lado, este afastamento dá-nos uma visão mais lúcida sobre os nosso gostos atuais. Ver repetidamente a mesma roupa cria habituação e tolerância. Já não questionamos se gostamos deste ou daquele item, porque simplesmente nos habituámos a vê-lo sempre no mesmo sítio. Desta forma, ao repor no guarda-roupa algo que já não víamos há meses, dá-nos a oportunidade de ter uma nova perspetiva sobre cada peça.

 

Na próxima semana não perca as dicas para organizar o seu guarda-roupa para a nova estação.

E entretanto não se esqueça de aproveitar o outono!