Redireccionar

Temos falado em libertar espaços e organizá-los.
Assim, à medida que vamos decidindo o que libertar no nosso ambiente, é importante ter em mente para onde vão as coisas a mais.
E é tão relevante que chega a influenciar a nossa decisão de ficar ou não com alguma coisa. Isto é, se soubermos que vai ter o melhor destino, somos mais permeáveis à ideia de deixar ir.

Assim, a melhor opção é ir separando logo à partida para onde vão as coisas que não queremos na nossa casa.

A seguir a nós, qual a próxima paragem?
Para cada tipo de items, diferentes direcções!

Roupa

Em boas condições:

· Para dar directamente a quem necessita: CERCI, Cruz Vermelha, APAV, Entreajuda ou qualquer outra associação que queira apoiar.
· Para dar e ser revendido por lojas solidárias: Humana, Remar, Cáritas…
· Para vender diretamente as suas peças: lojas com sistema de consignação, feiras de segunda mão ou plataformas como OLX, Ebay, Vestaire Collective ou até Facebook.

Em fracas condições (se tiver dúvida, pergunte-se a si mesmo se a peça é boa o suficiente para dar a um familiar ou amigo. Se a resposta for não, talvez não esteja em bom estado para dar a outras pessoas):

H&M ou Zara , onde fazem reciclagem de têxteis – Neste momento não há muitas opções nacionais que se responsabilizem por esta secção de reciclagem, e estas lojas acabam por ser pontos que se encontram um pouco por todo o país.

Livros

· Para dar: biblioteca, escolas, universidades, lares.
· Vender: alfarrabistas, ou feiras em segunda mão. Também existem sites que permitem a venda como Fnac, Bibliofeira ou outros.
· Uma sugestão extra: numa rua movimentada – e num dia de sol – pode deixar uma caixa com os livros e assinalado “Gratuito”. Vai ser uma boa surpresa para quem lá passar.

Electrónicas (cabos, CD’s, pequenos e grandes electrodomésticos)

Em bom estado: pode vender online, dar, ou perguntar quanto lhe dão pelas peças num Cash Converter.

Em mau estado: depositar em lojas como Rádio Popular, Media Markt ou Worten. Nesta última, pode ter possibilidade de retoma e não se preocupar com o transporte de grandes electrodomésticos, uma vez que fazem a recolha em casa.

Brinquedos, livros ou roupa de criança:

· Para além das acima referidas, CPCJ (Comissão e Protecção de Crianças e Jovens), ou escolas/infantários locais.
· Livros escolares podem também ser vendidos nos sites Sítio da Troca ou Book in Loop.

Acessórios de animais:

Sejam almofadas, taças de comida ou roupa que o seu companheiro não usa, pode entrar em contacto com a associação de animais mais próxima e entregar-lhes. Normalmente também aceitam toalhas e cobertores.

Mobiliário:

Para além dos anteriores, a EMAÚS, Renascer, Betel, Reto e Remar fazem recolha ao domicílio.

Caso disponha de objectos – ou o conjunto do que decidiu libertar-se – muito grandes e pesados, pode contactar a Câmara Municipal e marcar um dia e hora para a recolha. Os responsáveis certificam-se que o que não pode ser dado vai ser reciclado.

Seja qual for a escolha, quero lembrar que a venda dos artigos requerem disponibilidade, tempo e espaço extra para os guardar enquanto não os vende.
Quando liberta a sua casa, o objetivo é libertar a sua mente também, e não ter mais tarefas a cumprir. Por isso, o ideal é “despachar o assunto” o mais rapidamente possível, levando-os para fora de casa assim que possa.

Por fim, deixo uma outra alternativa que acaba por juntar o útil ao agradável: chamar um ou outro amigo que pense estar interessado nas suas peças. Aproveita para pôr a conversa em dia e liberta o que está a mais!

O valor das coisas

É comum cruzarmo-nos com coisas que:

1. nos custaram muito dinheiro
2. podem valer dinheiro agora
3. podem valer dinheiro algum dia

No processo de libertação do nosso espaço, todos estes factores podem influenciar a nossa capacidade de decisão.

Seja porque comprámos um gadget de última geração, uma peça de roupa de nos encantou, uma antiguidade ou um móvel que ficava encantador na outra casa, todos nós passamos por este tipo de peças.
E torna-se difícil de nos desfazermos delas, porque afinal de contas, “é dinheiro que ali está”.

Aqui, a questão que se coloca é:
Este item traz-lhe valor real, ou mantém-no só porque é “valioso”?

 

 

É provável que esse item não lhe acrescente nenhuma mais-valia ao seu espaço, nem ao seu dia-a-dia. Mas cria um laço emocional e hipotético-financeiro, pela simples razão de ter gasto dinheiro nele ou achar que ainda lhe pode trazer algum lucro.
Eis as verdades:

1. Quer esteja a comprar ou alugar casa, está a pagar pela sua habitação. O facto de ter esse item apenas a ocupar um espaço pago, significa que continua a dar-lhe despesa.

2. Posto isto, quer continuar a ter esse item na sua casa por mais 20 anos, só porque, nessa altura valerá algum dinheiro? Faça as contas e veja se lhe compensa.

3. O valor das coisas é diretamente proporcional à sua procura. Se tem um jarro de estanho que há uns anos lhe foi caro, mas agora ninguém o quer, será que ainda é “valioso”? Comprou aquela camisa de marca, mas agora tem um fit antiquado… Ou uma aparelhagem que há uns anos tinha tecnologia de ponta… se não tem valor para si, aceite a possibilidade de não ter para outras pessoas também.

4. O dinheiro está gasto. Ponto final. Não o procure re-haver, é uma preocupação inútil, pois a partir do momento em que passa pelas suas mãos, já perde valor. Aceite que pagou para ficar satisfeito naquele momento e durante o tempo que lhe deu uso. Siga em frente.

Ainda assim, se chegou à conclusão que a tal peça não lhe acrescenta mais-valia mas quer ter algum lucro com ela, há diversas opções: sites de vendas online como OLX, Ebay ou Vestiare Collective, feiras, ou então lojas que comprem segunda-mão ou funcionem à consignação. Mas tenha em mente que essas opções requerem tempo e disponibilidade. Seja para tirar as fotografias e colocar online, procurar as lojas em segunda-mão, ou fazer um mercado de rua ( é uma boa oportunidade para pôr a leitura em dia e conhecer pessoas!).
A parte melhor da venda é ver como uma coisa que já não lhe é útil, a ser usufruída por outra pessoa.

Uma outra sugestão, se não procurar recuperar o valor mas lhe custa desfazer-se do item, será dar a alguém conhecido que o aprecie. Verá que lhe traz compensação emocional.
É frequente ver a satisfação que alguns sentem ao verem as coisas sem interesse para si, deixarem livre um espaço precioso enquanto surpreendentemente fazem as delícias de outros!

100% de desconto

 

Ah, essa coisa fantástica que são os saldos e as promoções!

Como não resistir? Vemos coisas lindas, úteis ou com tecnologia de ponta a metade do preço! É de aproveitar!

Ou não?

Antes de partir para as lojas e se deixar deslumbrar pelas novidades com desconto, dê um passo atrás.
Refresque a cara e a mente, e antes de sair de casa, olhe para o conteúdo da sua casa: armários, estantes e gavetas. Como se sente ao olhar lá para dentro? Precisa de alguma coisa? Talvez tenha um armário cheio de roupa que não usa e sente que precisa de ir às compras para o “refrescar”… Stop!
Antes de mais, é importante eliminar os excessos e as coisas que realmente não gosta, para ter uma noção exacta do que usa e do que pode precisar.

Aqui vão algumas sugestões para evitar toldar o discernimento nesta altura de tentações.

 

 

1 · Faça uma lista
Ao escrever o que precisa ou o que gostaria de ter, já vai visualizando mentalmente e assim estará mais atento quando vir algo do género na loja. E menos propenso a distrações.

2 · Fotografe
Quando vê algo ao qual mal pode resistir, fotografe-o! Num primeiro momento já nos sacia um pouco o ímpeto do consumo. Ter uma fotografia daquilo que queremos dá-nos uma breve sensação de “ter” a peça. Medite sobre o assunto durante algum tempo, seja um dia ou uma semana. Ainda o quer? Gosta tanto da peça que se vai dar ao trabalho de voltar à loja e esperar na fila para a comprar?

3 · Defina um orçamento
Se se puser um limite a si mesmo, vai tê-lo em consideração! Não importa se é uma pechincha, se vai ser “mais uma” peça no armário, já lhe está a sair caro. Muitas coisas baratas somam no preço. Com um limite de valor a gastar, vai ter de fazer escolhas e opta pelas peças que mais gosta.

4 · Mas se tiver mesmo de ser…
Se não conseguir resistir à compra, certifique-se que pode trocar ou devolver mais tarde –  e guarde o talão. Entretanto, veja se se sente inspirado a usar o novo item e se for uma peça de roupa, veja as possíveis combinações com o que já tem. Porque às vezes, na calma da casa, percebemos que afinal a peça não faz o nosso estilo ou não combina muito bem com o que temos. E nesse caso, é bom ter um plano B.

 

Roupas diferentes não nos fazem mais magros, mais acessórios bonitos não tornam as nossas casas mais acolhedoras, uma promoção fantástica – não importa o tamanho do desconto – não nos faz poupar dinheiro.

· Ruth Soukup