Unitasker?

 

Os objectos foram criados com um objectivo principal: optimizar e simplificar. Optimizar os nosso gestos e o nosso bem estar. Simplificar o dia-a-dia e as nossas tarefas.

Mas, nesta busca de simplificar tudo, as empresas procuram inventar o melhor produto para aquela função em especial. Assim, desdobram os objectos de forma a ter peças específicas para cada propósito (Unitasker, em inglês).
A uma função – por mais simples e pequena que seja – corresponde um utensílio, que promete tornar tudo mais simples, rápido e melhor.

Coincidindo com um crescimento económico, a partir de meados do séc. XX houve também um crescimento do número invenções, criando assim novas necessidades. Iogurteiras, fatiadores de ovos, descaroçadores de maçãs, colheres para fazer esferas de melão… A lista é infindável, desde utilidades para cozinha, a miudezas para o nosso dia-a-dia, levando-nos a pensar que vamos poupar tempo precioso, ou que vão fazer dum simples gesto, um ritual especial.

 

 

É muito natural que nos sintamos atraídos por estas promessas e esperanças, e acreditamos que obter aquele produto em especial vai ser bom para nós.
Acontece, que destas “utilidades” que temos, só uma pequena percentagem nos é realmente útil e nos proporciona prazer.
Se só usa o fatiador de ovos para as sandes de praia naqueles 5 dias de férias, será que ter aquela peça a ocupar espaço o ano todo é assim tão vantajoso? E quanto ao massajador facial que não usa porque não tem paciência e prefere ir a um spa quando sente mesmo necessidade de um “mimo”?

Um objecto monotarefa ou demasiado específico não é necessariamente uma má escolha. Claro que se adora pipocas e é o seu snack preferido, uma máquina para o efeito talvez seja o ideal.

Mas tendo isto em mente, talvez possa ter um olho mais crítico quanto à utilidade real daquilo que o rodeia.

Portanto, pense duas vezes se aquela peça vai ser efectivamente uma mais-valia para si. Ou serão apenas os efeitos do marketing a fazê-lo acreditar que precisa mesmo desse gadget?