O valor das coisas

É comum cruzarmo-nos com coisas que:

1. nos custaram muito dinheiro
2. podem valer dinheiro agora
3. podem valer dinheiro algum dia

No processo de libertação do nosso espaço, todos estes factores podem influenciar a nossa capacidade de decisão.

Seja porque comprámos um gadget de última geração, uma peça de roupa de nos encantou, uma antiguidade ou um móvel que ficava encantador na outra casa, todos nós passamos por este tipo de peças.
E torna-se difícil de nos desfazermos delas, porque afinal de contas, “é dinheiro que ali está”.

Aqui, a questão que se coloca é:
Este item traz-lhe valor real, ou mantém-no só porque é “valioso”?

 

 

É provável que esse item não lhe acrescente nenhuma mais-valia ao seu espaço, nem ao seu dia-a-dia. Mas cria um laço emocional e hipotético-financeiro, pela simples razão de ter gasto dinheiro nele ou achar que ainda lhe pode trazer algum lucro.
Eis as verdades:

1. Quer esteja a comprar ou alugar casa, está a pagar pela sua habitação. O facto de ter esse item apenas a ocupar um espaço pago, significa que continua a dar-lhe despesa.

2. Posto isto, quer continuar a ter esse item na sua casa por mais 20 anos, só porque, nessa altura valerá algum dinheiro? Faça as contas e veja se lhe compensa.

3. O valor das coisas é diretamente proporcional à sua procura. Se tem um jarro de estanho que há uns anos lhe foi caro, mas agora ninguém o quer, será que ainda é “valioso”? Comprou aquela camisa de marca, mas agora tem um fit antiquado… Ou uma aparelhagem que há uns anos tinha tecnologia de ponta… se não tem valor para si, aceite a possibilidade de não ter para outras pessoas também.

4. O dinheiro está gasto. Ponto final. Não o procure re-haver, é uma preocupação inútil, pois a partir do momento em que passa pelas suas mãos, já perde valor. Aceite que pagou para ficar satisfeito naquele momento e durante o tempo que lhe deu uso. Siga em frente.

Ainda assim, se chegou à conclusão que a tal peça não lhe acrescenta mais-valia mas quer ter algum lucro com ela, há diversas opções: sites de vendas online como OLX, Ebay ou Vestiare Collective, feiras, ou então lojas que comprem segunda-mão ou funcionem à consignação. Mas tenha em mente que essas opções requerem tempo e disponibilidade. Seja para tirar as fotografias e colocar online, procurar as lojas em segunda-mão, ou fazer um mercado de rua ( é uma boa oportunidade para pôr a leitura em dia e conhecer pessoas!).
A parte melhor da venda é ver como uma coisa que já não lhe é útil, a ser usufruída por outra pessoa.

Uma outra sugestão, se não procurar recuperar o valor mas lhe custa desfazer-se do item, será dar a alguém conhecido que o aprecie. Verá que lhe traz compensação emocional.
É frequente ver a satisfação que alguns sentem ao verem as coisas sem interesse para si, deixarem livre um espaço precioso enquanto surpreendentemente fazem as delícias de outros!