Regresso às aulas, regresso a uma casa mais leve e organizada!

 

Hoje, uma reflexão sobre o artigo passado e a influência do espaço na educação e no bem-estar das crianças.

Com a chegada de bebés a uma família, chega também a ideia de que não lhes pode faltar nada, e é natural que queiram oferecer brinquedos, jogos, roupas, gadgets…e à medida que vão crescendo, vai crescendo também a quantidade de coisas: livros, mais brinquedos, mais roupas, mais jogos, sem considerar os já existentes. Até a um ponto que já não sabem muito bem tudo aquilo que têm, e vai-se criando a confusão em casa.

Claro que não lhes pode faltar nada, incluindo carinho, educação, enfim, as condições para crescer saudável e confiante.
Mas é aqui que muitas vezes se troca a ordem de prioridades.
Tanto amigos, família e os próprios pais tentam “objectificar” todo amor e admiração pelas crianças através de bonitos presentes;  já passou a ser um cenário normal ver as crianças num estado de histeria e completo descontrolo na noite de Natal, Páscoa ou aniversário. Muitas vezes a felicidade de um presente não dura mais que uns minutos, até se abrir o seguinte…

Alegria infindável é bom, tralha infindável, nem tanto.

Não esquecer que todos estes “brilhos” vão acabar na casa dos pais, ocupando o seu espaço. Mesmo que a criança até se esqueça do presente passado uns dias ou uma semanas, este fica lá muito mais tempo do que isso.

A minha sugestão?

Combinar entre adultos o que é que o bebé mais precisa, ou o que é que a criança adora, e escolher os presentes dentro dessa gama.

Também é importante fazer circular as coisas. A partir do momento em que a criança já não usa ou já não lhe serve, dar. Dar para abrir espaço para novos items.
Não importa se comprou aquele livro com ilustrações maravilhosas ou aquele jogo tão didático. Se a criança pede para ler o outro livro já velhote, ou prefere brincar com os Lego® que já tinha, é bastante claro o que a faz feliz. O resto é dispensável e pode ir.

Lembre-se que não se deve prender às coisas que a criança deixou de dar importância.

Ela é que importa.

 

Vantagens?
Para a criança é muito positivo em vários aspectos:

· cresce num ambiente mais tranquilo
· aprende rotinas de arrumação, e assim habitua-se a ter o quarto (e a casa) mais limpo e organizado
· faz o exercício de questionar o que a rodeia e percebe o que é a que faz feliz
· passa a ter um quarto com mais espaço para brincar e menos distrações quando estuda
· ganha uma consciência mais realista da pegada ecológica, construindo um estilo de vida mais sustentável
· contribui e sente a satisfação de ajudar crianças com menos privilégios materiais (ao dar o que a criança não usa e que está em boas condições)

Como é que pode começar?

Comece por falar-lhes do “porquê”. Menos tempo de limpezas, mais tempo para brincadeira. Dar para poder receber outras coisas que gosta mesmo. Uma casa mais agradável para receber os amigos. Seja qual for a razão, é uma boa razão. O importante é que haja um motor de motivação para que comece a aceitar a ideia e a querer realmente começar a organização. Se ela entender, vai colaborar de bom grado.
Não vale descartar nada sem o consentimento da criança, para que não se sinta melindrada e zangada. Isto requer tempo, conversa e atenção.

Para alguns alguns pode ser complicado todo este processo, sendo conveniente contar com uma ajuda profissional.

E claro, seja o modelo a seguir. “Olha para o que digo, não olhes para o que faço” é condenar a ideia ao insucesso. Se quer ter uma criança organizada, seja também mais organizado. Passe pelo processo e partilhe a experiência, os sentimentos, as dificuldades e os êxitos.

 

 

 

 

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